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 Aquarella [capítulo 1]

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Debie-chan
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MensagemAssunto: Aquarella [capítulo 1]   Qui Jan 29, 2009 8:45 am

Citação :
Título: Aquarella
Gênero: Fanfic, Drama, Aventura
Autor: Eu (Debie)
Censura: 10 (só por precaução)
Resumo: Uma simples missão pode mudar a forma de uma garota ver o mundo, de um prefeito encarar o que mesmo diz, o conhecimento de uma "pequena princesa" e as decisões de um soberano rei...

Disclaimer: A franquia Dream of Doll não me pertence. Essa fanfiction não possui fins lucrativos, visando apenas o divertimento dos leitores. O site oficial da marca é esse daqui. Boa leitura cambada!

***
Capítulo I
Era praticamente cinco da manhã. O ano era quase desconhecido, mas todos sabiam era algo por volta do século XIX, talvez XX. O dia estava extremamente nublado. A grande mansão onde moravam os irmãos Shall e Lahoo estava escura e acinzentada, exalando um clima sombrio e triste.
Nos corredores, caminhava lentamente Shall. Vestia uma camisola branca, um tanto transparente, sobre si. Nas janelas, a luz que conseguia entrar deixava-a transparente, mostrando sua silueta magra, quase anoréxica. Andava descalça no piso frio, sem fazer barulho algum. Seus cabelos negros, desgrenhados, chegavam à altura de seus tornozelos, formando uma moldura levemente triangular sobre seu corpo. Estava sem maquiagem, revelando olheiras sobre sua pálida pele. Seu rosto estava apresentava uma expressão triste, com os olhos entreabertos. Parecia um fantasma.
Lentamente ia entrando na sala de jantar. Abriu os olhos e avançou até a mesa. O salão espalhava a mesma aparência do resto da moradia. As janelas, altas, sequer estavam com as cortinas abertas. A moça não ligava. Desde a semana anterior, pouco lhe importava o que acontecia ao seu redor, quanto mais a assuntos de responsabilidade de seu irmão. Ele que as abrisse, a casa não era dela, não passava de uma mera acolhida sem ter aonde ir. Palavras dele, infelizmente ditas em sua última discussão.
Estava sozinha lá, não ligava. Estava frio, não se importava. Todos ainda dormiam não se importava. Nada parecia abalá-la após aquela notícia, após aquela briga. Estava fazendo drama? Sim, talvez. Mas o que poderia fazer para evitar? Acabara de fazer dezoito anos, de entrar no mundo adulto que se mostrava, desde que se entendia por gente, um universo sem alegrias, repleto de preocupações, ora fúteis, ora importantes. Ainda era uma menina frágil, presa no corpo de uma moça recém-formada. O momento que tanto esperara vir, agora queria voltar atrás.
Olhou para o relógio da sala. Cinco e quinze. Lahoo não deveria acordar?
A mesa estava cheia, com muitas frutas, geléias, sucos e frios. Pegou uma torrada. Serviu-se um suco de laranja. Lentamente ia mordiscando e bebendo. Só esperava seu adorado irmão mais velho chegar e tentar arrancar de sua boca explicações. As lembranças da noite anterior percorriam sua mente.
****
Pequenos flashes mostravam o que acontecera. Ficavam rondando sua cabeça.
- Shall, tenho uma missão para você e para Sha. - dissera Lahoo.
- Sha, aquele rapaz mulherengo e metido? Quer dizer que ele conseguiu mesmo se formar sacerdote.
- Deixe-o de lado e me ouça. Vocês têm que ir até a mansão de Lúcifer, entregar este bilhete. - puxou no bolso de seu sobretudo um pergaminho, envolto em uma fita de cetim vermelha e selado com cera já seca, com a insígnia da prefeitura de Aquarella gravada.
Shall sentiu seu sangue gelar. Suspeitava o que seria aquela carta.
- Isto é...?
- Uma convocação para vir até mim, para uma reunião.
Sentiu um alívio momentâneo. "Então não é um decreto de pena de morte".
- Conhecendo aquele monstro, vai chamar suas tropas e me chamar para entrar em guerra. - acrescentou, depois.
Ela sentiu seu corpo aquecer-se de raiva, seu sangue ferver. O elfo de que ela se lembrava de ter curado há dois anos não era assim. Era uma injustiça, um preconceito que se espalhava cada vez mais, das escolas aos lares.
- Isso não é verdade. Ele é um homem civilizado, que não merece todos esses títulos vergonhosos. Por causa de um ato você e seu governo já fizeram questão de disseminar esses boatos.
- Ah, lá vem você com isso. Só porque cuidou dele uma noite a dois anos não quer dizer que tenha conhecido todo o caráter dele. Você sabe dos crimes que ele cometeu.
- Mas... Talvez não tenha sido ele.
- Poupe-me. Foi ele sim, até que provem o contrário.
- Impressiona-me um homem culto como você resumir outro assim. Não sei por que tenho que viver ao seu lado.
- Eu poderia responder que é porque somos irmãos, mas estaria mentindo para eu mesmo. Simplesmente não sei por que ainda a abrigo aqui. A casa é minha, lhe acolhi porque você não tinha para onde ir. Mas posso te abandonar a qualquer instante, se continuar assim.
Agora suas respostas haviam acabado, não tinha nada que pudesse fazer a não ser chorar.


****
Chegara, enfim, Lahoo. Sua cara parecia a de um zumbi, já que teve uma noite mal dormida. Vestia sua roupa de prefeito, mas seus cabelos acinzentados ainda estavam desarrumados. Viu sua irmã, percebeu que ela ainda estava chateada. Não dissera um bom dia. Será que ela não o havia visto? Não, ela o vira sim. Só estava "fazendo draminha", como sempre fazia se ficava chateada. E ele sabia o que tinha feito, mas não achava que isso era motivo. Aquela discussão simplesmente serviu para acordá-la de sua adolescência e encarar a realidade - ela ainda não sabia lidar com frustrações. Tentou dialogar um pouco:
- Bom dia Shall!
-... - ela o ignorou, virando para a janela.
- Manhã bem nublada, não é? Pena, tenho que ir à pé à prefeitura, já que o carro novo quebrou. Sabe como é, não é? Essas máquinas novas vivem quebrando.
-...
Ela não respondia. Ele começou a perder sua paciência.
- Por quanto tempo você vai me ignorar?
- Até que você mande outro coitado para a "missão".
- Ora, finalmente deu um sinal de vida, irmãzinha. Escuta, já falamos sobre a missão. Eu confio em você e em sua capacidade, sei que vai conseguir. Não se preocupe você vai ficar bem.
- Não é disso que estou falando. Eu não vou passar um mês ao lado daquele ser chamado Sha.
- Você realmente não gosta dele, não é?
- Nem eu, nem você, nem ninguém gosta dele.
- Mas não é por isso não é? Como você mesma disse ontem, é por causa daquele elfo maldito que você ajudou dois anos atrás.
Ela ficou muda. Sim, era exatamente por isso que estava naquele estado. Ele levantou-se e andou até o corredor. Ela tentou responder:
- Mas...
- Não vou perder meu tempo ouvindo suas reclamações fúteis. Você cresceu, tem dezoito anos agora. Por que não tenta amadurecer? Ou tentar resolver seus problemas, sozinha? Você reclama mais do que age, já percebeu?
Foi embora. Ela o mirou fixamente, enquanto ia afastando-se cada vez mais, até perder sua silueta de vista.
- E você nem se lembra que dia é hoje... - murmurou.
***
Era outra noite mal dormida. Ducan abriu levemente os olhos, que havia fechado pouco menos de uma hora atrás. Olhava fixamente o teto. O quarto estava escuro, embora fosse de manhã. As cortinas estavam fechadas. "Como sempre, não consegui dormir". Voltou a fechar os olhos.
Petsha, sua irmã caçula, caminhava na ponta dos pés pelo piso frio de mármore do corredor, rumo em direção ao cômodo dele. O barulho produzido era mínimo, pareciam passos de fadas. Ainda usava seu pijama, uma camiseta com babados e uma calça, ambos cor-de-rosa. Seus cabelos brancos estavam meio desarrumados. Eram ondulados, em camadas. Tinha belos olhos azuis, que estavam sempre brilhando.
Havia chegado à porta. Queria fazer uma surpresa, não podia fazer barulho algum. Tocou a maçaneta. Girou e abriu. Empurrou-a, rangeu um pouco. Tentou disfarçar, foi mais devagar. Fechou-a. Chegou lentamente até a cama e debruçou-se. Fez um leve carinho na cabeça de seu irmão.
- Bom dia Luci! - ela cochichou.
- Hã?
Ele abriu os olhos. Sua visão estava embaçada, levou alguns segundos até reconhecê-la. Ela levantou-se, foi até as janelas e puxou as cortinas. A luz do sol era forte. Naquela região, afastada de Aquarella, as manhãs eram sempre ensolaradas. Os raios cegavam e atrapalhavam a visão de ambos.
- Já amanheceu, sabia? Vim te chamar para vir tomar o café da manhã. - ela disse.
- Ah, muito obrigado irmãzinha.
Ela o olhou atentamente. Estava mais sério do que o normal, um tanto pálido, com olheiras bem visíveis.
- O que aconteceu?
- Ah, nada não, não se preocupe. É assunto de adulto.
Petsha ficara emburrada e o olhou com um olhar bravo, que assustou seu irmão, acostumado com seu olhar doce e meigo.
- Você sabe que eu já tenho doze anos e que sou quase adulta. - disse, com um tom de voz alterado - Poderia começar a contar as coisas que acontecem nesse lugar e com você.
- Existem coisas que é melhor ninguém saber.
Sua expressão mudou, ficou desconfiada da insinuação dada a partir daquele comentário. Sentindo que falara algo que não devia, levantou-se, bagunçou os cabelos de sua irmã, rindo.
- E não adianta dizer que você é adulta, todo mundo sabe que você não é.
Ela mostrou-lhe a língua, contrariada. Mas por dentro, não podia negar que essa brincadeira alegrara seu humor.
***
Oito da manhã. A cidade da Aquarella começava a acordar. As padarias já estavam abertas pouco antes disso, mas os fregueses só chegavam agora. As papelarias iam catalogado papéis de carta. As lojinhas de animais iam limpando as camas que os cães desarrumaram à noite. Mesmo sendo uma manhã nublada e fria, a aura das pessoas continuava acesa.
Shall andava pelo centro. Trajava um belo vestido. Tinha uma saia rodada com detalhes em rendas, branca. A parte de cima tinha era cinza com detalhes brancos, como a manga bufante, comprida e com babados. Em seu pescoço estava envolvido um rosário. Pequeno, prateado, com quartzos incrustados. Presente de sua mãe, ela o carregava sempre consigo. Queria chegar à floricultura e buscar o buquê de cravos que havia encomendado.
- Bom dia Srta. Shall veio buscar as flores? - perguntou o floriculturista.
- Bom dia. Sim, vim buscá-las.
- Aqui estão - ele as pôs em suas pequenas, brancas e gélidas mãos- cravos não são meio tristes?
- É que hoje é dia 01 de fevereiro, entende?
- Oh, entendo. Vá para lá com cuidado, ouviu? Ultimamente, algumas pessoas estranhas vêm rondando essa região. Eles são um perigo para jovens donzelas como você.
- Não se preocupe comigo. - sorriu gentilmente.
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Aquarella [capítulo 1]
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